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Agroecologia no cotidiano: oficina leva práticas sustentáveis a famílias de assentamentos em Rio Negrinho

  • Foto do escritor: coomunica30
    coomunica30
  • 17 de abr.
  • 3 min de leitura

Projeto Mãos Dadas Plantando o Futuro reúne participantes no assentamento Norilda da Cruz para formação com bioinsumos e saberes locais


Prática de bioinsumos orientada pela engenheira agrônoma, Gabriela Lader, no assentamento Norilda da Cruz
Prática de bioinsumos orientada pela engenheira agrônoma, Gabriela Lader, no assentamento Norilda da Cruz

Você sabia que, com um pouco de cal, cinza peneirada e água, é possível produzir um insumo eficiente na prevenção de doenças das plantas, evitando o uso de agrotóxicos que prejudicam a saúde humana e o solo? A chamada água de vidro foi um dos preparos que a comunidade beneficiária do projeto De Mãos Dadas Plantando o Futuro aprendeu a fazer durante a oficina de Educação Ambiental realizada na última segunda-feira (13), no assentamento Norilda da Cruz, em Rio Negrinho (SC).


A engenheira agrônoma Gabriela Lader, da Cooptrasc (Cooperativa de Trabalho e Extensão Rural Terra Viva), parceira na execução do projeto, ensinou diversas técnicas de produção de bioinsumos e defensivos naturais, focalizando no uso de recursos acessíveis às famílias. 


“A prioridade foi trabalhar com aquilo que está facilmente disponível nas propriedades, como cinza de fogão a lenha, soro de leite, esterco curtido, folhas, cascas e microrganismos eficientes que podem ser capturados na mata”, relata. 

Durante a oficina, foram apresentados o passo a passo dos preparos, os períodos de fermentação, as formas de aplicação e os cuidados com o armazenamento.


Agroecologia como método


A ação faz parte da etapa de sensibilização e formação das famílias beneficiárias do projeto, com foco na mobilização comunitária, na construção coletiva do conhecimento e na formação de multiplicadores capazes de dar continuidade às práticas no território. Estruturada a partir de técnicas agroecológicas, a atividade reforça que é possível produzir com mais respeito ao meio ambiente.


Para Lucídio Ravanello, responsável técnico da AESCA, a agroecologia vai além da técnica: ela expressa uma dimensão fundamental para o povo do campo — a possibilidade de produzir e viver com mais saúde e harmonia. Ravanello apresentou exemplos de como essas práticas podem ser incorporadas ao cotidiano, por meio da valorização da biodiversidade local, do manejo adequado do solo, da economia de recursos naturais e da autonomia em relação aos insumos externos.


A vantagem também é financeira pois as tecnologias utilizadas são de baixo custo, fácil aplicação e alta eficiência, podendo ser adotadas por todas as famílias. Além de garantir a produção de alimentos livres de contaminantes, reduzir custos, recuperar e proteger os recursos naturais, as práticas valorizam os saberes locais, incorporando-os à metodologia e assim fortalecendo o protagonismo das famílias assentadas.


A articulação entre educação ambiental, diagnóstico socioeconômico e práticas produtivas sustentáveis busca responder às demandas das comunidades. Para Gabriela, no entanto, o que realmente potencializa esse processo é a participação ativa dos assentados e assentadas. “São momentos fantásticos. Aprendemos muita coisa juntos nessas atividades coletivas que o projeto está proporcionando”, afirma, destacando também a troca de conhecimentos, que inclui receitas e práticas transmitidas por gerações.


Gabriela ressalta ainda que a agroecologia desempenha um papel importante na promoção da equidade de gênero ao incentivar a participação e fortalecer a autonomia das mulheres, que, em muitos casos, são responsáveis pelos quintais produtivos e pela produção de alimentos saudáveis para suas famílias.


A atuação conjunta da AESCA e da Cooptrasc se concretiza no fortalecimento das comunidades rurais, por meio de ações integradas que dialogam com a realidade das famílias. Iniciativas como essa contribuem para sistemas produtivos mais sustentáveis e para uma melhor qualidade de vida no campo, com mais autonomia e vínculo com o território.



 
 
 

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